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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha: Chaos Walking #2 - The Ask and The Answer

de Patrick Ness

(Spoilers do livro 1)
Depois do cliffhanger do primeiro livro da série, eu precisei pegar o segundo direto. Mas infelizmente, só cheguei lá pelos 5% do livro antes de largar e esquecer por um tempo. O peso que eu estava sentindo por causa dessa série era demais, e eu senti que não ia conseguir ler o segundo TODO imediatamente após o primeiro sem entrar em algum tipo de depressão literária. Principalmente se o segundo fosse tão deprimente quanto o primeiro.
E é.
Na verdade, esse é ainda MAIS deprimente. Começamos, de um lado, com Todd dizendo para o Prefeito que fará tudo para ele contanto que ele salve a Viola. Do outro, temos Viola de cama com uma bala em sua barriga, tentando se recuperar.
No primeiro livro, nós tínhamos Manchee (ainda estou fula com a morte dele). Nós tínhamos a relação entre Todd e Viola, que estavam juntos praticamente o tempo todo. Nós tínhamos bons personagens que faziam a estória parecer mais leve. Nesse, nós não temos nada disso. Os únicos personagens além de Todd e Viola que me deixaram "feliz" foram Wilf e Lee. Aliás, nem o Todd me deixou tão feliz assim.
É muito difícil quando seu personagem principal é um criança que não sabe controlar seus sentimentos. Todd faz tantas escolhas erradas, tem tantos pensamentos estúpidos, reage de forma tão mal-pensada à certas coisas, que eu HONESTAMENTE considerei largar a série.
A única coisa que me manteve lendo o livro foi a Viola, a luz dessa trilogia toda que merece tudo de bom. Para as pessoas que me dizem que Todd faz tantas escolhas erradas por causa da sua idade ("ele é uma criança, praticamente" gritam os defensores) eu digo: e a Viola? Ela é, tecnicamente, mais nova que ele. Eu vi em algum lugar que ela tem só 13 anos (dos nossos anos), nem sei mais se vi isso no livo ou na wikipédia. Idade não é desculpa para nada. Eu concordo que o Todd foi criado nesse lugar horrível que deu forma à uma personalidade ruim, principalmente por ele ser o mais novo e o mais maltratado de toda a cidade em que cresceu, e que ele faz o melhor que acha que pode na situação extremamente difícil em que foi colocado, mas sério, gente, sério. O Todd me deixa muito frustrada. Eu não aguentava mais ler seus surtos de raiva, seus ataques e agressões (à outros e à si mesmo), e seus pensamentos maliciosos.
E isso me fez refletir: no primeiro livro, e no início desse segundo, eu achava que o que todos diziam, sabe, aquela famosa frase "Todd não pode matar"?, eu achava que isso fosse porquê ele era bom demais. Eu fui levada à crer que Todd Hewitt era um homem bom demais para matar outro homem, ou qualquer outra criatura. Mas o que eu percebi foi que suas ações não correspondem com as ações de um homem que não mataria alguém  por bondade. Não só porque ele mata aquele Spackle no primeiro livro, mas porquê seus pensamentos são de uma pessoa irritada que parte para qualquer briga que puder. Pode uma pessoa asim ser boa? Talvez. Mas eu acho que o real motivo de Todd não conseguir matar nenhum outro homem é a covardice. O medo. Do remorso, das consequências, de sua própria consciência. Enquanto um homem bom não mataria outro homem para preservar a vida em si, Todd não mataria para manter sua consciência limpa. Sim, o Todd é covarde. Fazer a coisa certa pelos motivos errados ainda faz com que você esteja errado. Ele pode ser muito corajoso em certos aspectos (quando Viola está imediatamente envolvida em perigo, por exemplo), mas a maioria de suas ações nos mostra que não é tão simples assim.
É claro que até aqui eu estou apenas reclamando do Todd como personagem, e aplaudo Patrick Ness pela complexidade de suas criações, mas é aqui que a coisa entra no ramo da escrita. Vamos falar de desenvolvimento.
No final desse livro, eu não vou dar spoilers significativos, mas Todd se encontra em uma certa posição de liderança. E para a minha surpresa, naquela cena, ele parecia ter nascido para isso. E ei, eu aceitaria isso super bem, mas a transição do menino que ele havia sido para esse homem que vemos no final do livro foi quase... desenvolvimento demais. Eu não senti que Todd estava naquele ponto ainda, não senti que ele havia se desenvolvido o suficiente como pessoa, ou aprendido o suficiente, para chegar naquele momento e fazer as coisas que fez. Não que ele tenha feito muita coisa, mas ainda assim, a passagem de um para o outro não me convenceu.
De qualquer forma, chega de falar sobre o Todd. Vamos falar sobre o enredo.
Nesse livro, enquanto eu estava lendo, parecia que nada estava acontecendo. Como o primeiro livro foi só correria o tempo todo, e nesse nós ficamos praticamente no mesmo lugar o livro inteiro, eu fiquei um pouco entediada. Mas nada muito sério, o livro ainda tinha a narrativa rápida que me manteve lendo até o final, apesar de minhas inúmeras frustrações. Coisas acontecem, sim, mas é difícil prestar atenção nelas quando você está se afogando em um mar de depressão e raiva. Mas, no final, tudo estava diferente. Foi mais ou menos como aquela citação, "Dia-a-dia nada muda, mas quando você olha pra trás, tudo está diferente."? Bem isso aí.
Só que a atmosfera continua muito deprimente. Eu sei que estou usando essa palavra  à beça, mas é isso, o livro me deprimiu. Nada de bom parecia acontecer, sempre que parecia que alguma coisa feliz ia surgir, ela era destruída. Eu não tenho nenhuma esperança que de as coisas terminem bem no próximo livro, nenhuma mesmo.
Pra ser honesta, nem sei porquê vou ler Monsters of Men. Não consegui me apegar aos personagens direito, sei que o próximo vai ser só guerra e desgraça, e ainda assim, eu decidi ler o próximo. Eu devo ser algum tipo novo de masoquista.
O que me motiva nesse ponto é a simples e pura curiosidade. Eu realmente quero saber o que vai acontecer agora. Como essa série termina? Porquê todos a amam tanto? Será que o final é bom?
E também, a vontade de não largar uma trilogia quando só falta uma pequena parte do caminho para seguir é muito forte. Odeio largar qualquer coisa que seja.
Gostaria de dizer, aqui, que esse livro não é ruim, apesar da minha resenha desencorajadora. É uma boa sequência para o primeiro, apesar de ser super diferente, e prepara um bom terreno para o terceiro. Eu só senti que, salvo algumas ocorrências, ele cai um pouquinho na síndrome do segundo livro. Nada que você perceba enquanto lê, mas algo que você vê depois que termina e reflete. Ou pelo menos foi assim que me senti, claro que várias pessoas vão discordar.

Beijos, etc.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Resenha: Chaos Walking #1 - The Knife of Never Letting Go

de Patrick Ness

Eu não sei se esse livro é considerado distopia, ou sci-fi, ou o quê, mas a estória é a seguinte: Nosso personagem principal, Todd, está a um mês de fazer 13 anos, idade na qual ele se tornará um homem. No planeta onde ele vive, no entanto, o que eles chamam de New World, os anos duram 13 meses, o que faz com que nosso personagem tenha uns 14 anos de idade, de acordo com os nossos meses aqui.
Todd vive num lugar onde algum tipo de doença se espalhou pelos cidadãos assim que eles chegaram lá (uns 20 anos atrás), e o que quer que tenha sido a doença, ela fez com que todos os homens fossem capazes de ouvir o pensamento de todos os outros homens, e matou todas as mulheres. Eles chamam essa doença de "The Noise". Está em todos os lugares, o tempo todo. Você nunca pode realmente escapar, o ruído nunca para.
Todd é o último menino da cidade; todos os outros já viraram homens. Um dia, ele está indo buscar maçãs para seu "pai", Ben, (seus pais de verdade morreram. Dois homens cuidam dele: Cillian e Ben), e ele se depara com algo que achava impossível: absoluto silêncio.

Eu li esse livro em inglês porquê, sinceramente, como você vai de The Knife of Never Letting Go para O Motivo? E que capa horrível é essa que a Pandorga deu para a edição brasileira? Sério. Então eu já sabia que se gostasse do livro, eu ia querer comprá-lo em inglês (títulos bem melhores e que fazem sentido na estória, capas bonitas...). O fator decisivo para eu começar a ler em inglês foi quando eu ouvi alguém dizendo que a narrativa dessa trilogia era bem diferente: o Todd nunca aprendeu a escrever ou ler direito, e como a narrativa é em primeira pessoa, ele escreve como ele ouve as palavras sendo ditas. Então várias vezes ele escrevia coisas como preparayshuns onde deveria ser preparations, etc. Outro fator foi o de que eu ouvi que durante o livro vários sotaques diferentes são representados na escrita, e eu sabia que isso ia se perder muito na tradução. Preferi pegar na língua original mesmo.
Essa escrita nova que o Patrick Ness usa me deixou um pouco confusa no início, mas eu logo me acostumei com ela. Não tinha lido nem 7% do livro quando me acostumei de verdade, então sem maiores problemas aqui.
Os personagens são muito bons e bem escritos. Os personagens maus são MAUS  mesmo e te deixam com vontade de matá-los você mesma, e os nossos dois personagens principais, Todd e Viola, tem falhas, cometem erros, tem seus momentos fofos, momentos heróicos, etc. Eu fiquei com vontade de gritar com eles, e de colocá-los no meu colo e dizer que vai ficar tudo bem, as vezes na mesma página.
E a estória em si, também, é muito interessante de ler. Eu tinha uma ideia de pra onde o enredo estava indo, mas eu não esperava muitas das coisas que aconteceram.
A única crítica que tenho desse livro é que ele é muito deprimente. Eu senti, enquanto ia lendo, que tudo estava ficando pior e pior, nada parecia melhorar nunca, a atmosfera era triste e eu estava, muito como Todd e Viola, sem esperança.
E tem uma coisa que acontece, lá pelos 70 ou 80% do livro, que me deixou MUITO mais deprimida do que eu já estava. De fato, foi nessa hora que eu realmente comecei a perceber o quão triste esse livro estava me deixando. A única coisa que me deixava realmente feliz no livro foi tirada de mim de forma brutal, sem pena.
Talvez eu tenha lido esse livro rápido demais, e por isso tenha ficado muito sufocada nele. Talvez eu devesse ter dado algumas paradas. Mas ao mesmo tempo em que ele me deixava com esse sentimento, eu não conseguia largá-lo. Eu precisava saber o que ia acontecer, como ele ia terminar. Eu quase imediatamente comecei o segundo quando terminei esse, e só aí percebi que não, eu não podia ler tudo isso direto, eu devia ler alguma coisa feliz no meio.
Eu realmente espero que Patrick Ness me dê alguma outra felicidade no próximo livro. Mais personagens bons, mais coisas boas, para que eu possa me refugiar neles quando me sentir sem esperança de novo. Não sei se vou aguentar se ficarmos só com Todd e Viola.

Beijos, etc.