sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Resenha: Legend #2 - Prodigy

de Marie Lu

Prodigy, segundo volume da trilogia, é ainda melhor do que Legend. Nesse livro, Day e June estão procurando pelos patriotas em Las Vegas para pedir sua ajuda com três coisas: achar o irmão de Day, Eden; ver Tess e se certificarem de que ela está bem; conseguir assistência médica para Day, que está com sua perna muito machucada.
Mas os Patriotas não são tão generosos, como já descobrimos no primeiro livro ao ver quanto dinheiro June teve que pagar apenas para que eles a ajudassem a libertar Day, e os nossos dois protagonistas estão com pouco dinheiro. Dessa vez, eles terão que fazer algo diferente para os Patriotas.

Dá pra ver que Marie Lu evoluiu em sua escrita do primeiro para o segundo livro (não que no primeiro tenha sido ruim). Ela não perde tempo com detalhes excruciantes sobre o cenário, mas ainda assim consegue ambientar a cena de forma envolvente. Suas cenas de ação me deixaram tensa e inquieta durante todo o livro.
Eu não sei o que esperava desse livro, ou que rumo eu esperava que a trilogia fosse tomar, mas isso definitivamente nem cruzou a minha cabeça. TUDO muda. Marie Lu te força a pensar bem em quem você acha que está mentindo e em quem você acha que está certo, sem te dar pista nenhuma sobre os personagens. Ao menos, não pistas que você perceba logo de cara. As reviravoltas são sutilmente implantadas ao longo da narrativa, mas você só as capta de fato quando elas são jogadas na sua cara.
Eu ADOREI o fato de que Marie Lu não ignorou o resto do mundo. Várias vezes, em livros distópicos, eu me pego perguntando para outras pessoas que leram o livro "O que você acha que aconteceu com os outros países? Como você acha que eles estão lidando com essa crise?". Eu odeio isso. Mas nesse livro ela nos mostra exatamente como o resto do mundo está, e não só um continente ou outro, mas todo o globo.
E, ainda sobre descobrir o resto do mundo, as Colônias me deixaram um pouco mais perturbada do que a República. Talvez seja por que eu já tenha me acostumado com a República, de certa forma, e nós vemos tão pouco das Colônias que eu tenha ficado curiosa para saber o que diabos está acontecendo naquele lugar, mas... há algo de errado ali.
E a República não me incomoda tanto por ser tão distante da nossa realidade hoje em dia, mas as Colônias se parecem muito com o nosso mundo atual. E ainda assim, alguma coisa não está certa naquele lugar. Nós só vimos a superfície, mas se tivéssemos a oportunidade de ver mais sobre o que ocorre lá, tenho certeza de que veríamos que tem tanto de errado ali quanto na República.
À respeito dos personagens, vou começar com os secundários.
Kaede me impressionou muito nesse livro. Não pelo seu desenvolvimento, pois ela não muda exatamente, mas pelo quanto nós descobrimos sobre ela.
A Tess foi de ser uma menina que apenas estava ali e não fazia diferença nenhuma para ser alguém completamente irritante que eu, apesar de querer que seja feliz, quero que seja feliz fora do meu campo de visão.
O que mais me surpreendeu foi que eu realmente gostei de Anden. Eu me pegava relendo tudo o que ele falava para ver se conseguia captar alguma mentira ou indício de manipulação, e até agora não sei com certeza de que lado ele está. Se ele acabar do lado errado eu vou ter que aplaudí-lo de qualquer forma, pois ele conseguiu me enganar direitinho.
As partes de June foram as que eu mais gostei de ler aqui. Ela é inteligente, corajosa, forte, e mesmo assim não deixa de ter falhas, inseguranças, e momentos em que faz escolhas com as quais eu não concordo. E a posição em que ela está, durante esse livro, é muito interessante de se ler. Eu ficava decepcionada toda vez que seus capítulos acabavam. Outra coisa que amei foi como o desenvolvimento de June acontece devagar, e não de repente. Ela ainda tem, eu seu interior, todos os ensinamentos da República, e esses instintos não somem em algumas semanas. É preciso tempo. Nesse livro, ela ainda tem dúvidas, ao invés de estar completamente certa do que quer, e isso faz de seu personagem muito mais crível.
Day, no entanto, foi um pouco frustrante. Ele é muito confiante em relação à certas coisas, mas em outras ele se deixa levar completamente pela dúvida (e pela manipulação de terceiros), e foi disso que eu não gostei nele. Poxa, Day, tenha mais fé. Confie mais na June. Ela arriscou tanto por você.
Ainda assim, o personagem de Day continua sendo tão bom quanto o de June. Existe uma diferença entre ficar frustrada com um personagem como personagem mesmo ou como pessoa. Day me deixou frustrada apenas como pessoa (e isso não significa que eu deixei de gostar dele).
Eu adoro como June nos narra tudo de forma mais detalhada, nos dando as horas, os números exatos, tudo. Isso é outra coisa que eu realmente gosto nesses livros, as vozes de Day e June são claramente diferentes. June é muito mais racional, enquanto Day é muito mais impulsivo, e os dois são SUPER inteligentes. Eu nunca me esquecia do ponto de vista de quem eu estava lendo, como acontece tantas vezes em livros com mais de um ponto de vista. Quando June narrava, eu estava completamente imersa em seus pensamentos, e quando Day narrava, eu estava imersa nos dele.
O enredo em si começa bom, e fica ainda melhor. A autora não faz como tantos outros insistem em fazer, deixando tudo para ser resolvido no final (no caso de trilogias ou séries, deixando tudo para ser resolvido no último volume). A ação nesse livro começa cedo e não termina.
Pela primeira vez, eu não faço a mínima ideia do que precisa acontecer no próximo livro. Eu simplesmente não sei.
Eu ouvi dizer por aí que Champion teve um final satisfatório, mas que não é tão bom quanto poderia ter sido, e isso me desanimou um pouco, mas assim que tiver a chance vou começar a lê-lo. Eu preciso saber o que vai acontecer, depois desse final.
5 estrelas!

Beijos, etc.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Resenha: Heróis do Olimpo #4 - A Casa de Hades

de Rick Riordan

(Spoilers do outros três volumes)
Eu não vou me preocupar em dar um resumo decente pra esse livro. Todo mundo já sabe. Eu fui literalmente a última pessoa a começar a ler Heróis do Olimpo.
Mas, ok, basicamente, Percy e Annabeth CAÍRAM NO TÁRTARO. Os outros cinco semideuses tem que ir até a Casa de Hades para fechar as portas do inferno por fora, enquanto Percy e Annabeth tentam fechá-las por dentro.
Tudo é dor.
Temos dificuldades, temos cenas que me deixaram surpresa pelo fato de serem bem mais obscuras do que eu imaginei que qualquer livro do Rick seria, temos cenas fofas, temos personagens irritantes, temos personagens adoráveis, etc. Tudo aquilo que já conhecemos.

"Para meus maravilhosos leitores:
Lamento pelo último suspense.
Quer dizer, não de verdade. HAHAHAHA.
Mas, falando sério, adoro vocês, pessoal."

Wow, Rick Riordan, Wow. Eu te odeio. Eu te odiaria mais ainda se tivesse lido A Marca de Atena quando saiu e tivesse que esperar um ano para o lançamento desse livro. Ainda bem que esse não foi o caso.
Eu estava com muito medo de que esse livro fosse nos deixar no escuro sobre onde Percy e Annabeth estão o tempo todo, se focando nos outros semideuses e aí só no final mostrar o casal nos contando o que aconteceu com eles, mas nós estamos com eles O TEMPO TODO. Nós vemos cada passo que eles dão lá dentro do Tártaro, cada dificuldade, cada monstro, cada obstáculo. Eu fiquei muito aliviada. Eu odiaria ter que tentar assumir o que estava acontecendo com eles o tempo todo.
Palmas pelos dois por serem tão incríveis em tempos de extrema dificuldade. No momento em que eles terminam de cair eles se olham e pensam: "Ok. Nós estamos aqui. Qual é o plano? Como vamos sobreviver?" Nada de choro ou pena. Eles mantém um ao outro forte.
Honestamente, todas as cenas no Tártaro foram minhas favoritas, mas teve uma que me deixou um pouco perturbada, e essa é quando Percy e Annabeth encontram Akhlys. Quem leu vai saber por quê, mas sem spoilers.
Resumindo, Percy e Annabeth são incríveis, não tem nada de novo aqui.
O livro não virou o meu favorito do Rick só por causa das dificuldades deles no Tártaro, mas também por tudo o que acontece fora, com os outros semideuses.
Sem os dois personagens "mais antigos" para roubar a cena, os outros cinco tem uma chance de brilhar. Não que eles estivessem nas sombras antes, mas agora eles realmente aparecem mais, e se desenvolvem mais. Eu passei a gostar mais de cada um deles depois desse livro, mesmo achando que não poderia amá-los mais.
Os capítulos da Piper continuam sendo, para mim, um pouco chatos de ler (mas não pela Piper, pois ela é incrível e eu a adoro, como já disse diversas vezes). Talvez sejam só as coisas que acontecem nos capítulos dela que não sejam tão emocionantes quanto as outras. Talvez. Ainda estou tentando descobrir.
Jason, eu te adoro, de verdade, e a forma como você apóia e motiva as pessoas e tenta fazê-las darem o seu melhor, sempre, faz de você um bom líder e uma ótima pessoa. Mas você tem que parar de desmaiar, ou congelar, ou ser pendurado de cabeça pra baixo sempre que aparece um perigo, ou um monstro.
Eu tenho esse jogo comigo mesma, onde toda vez que algo assim acontece com o Jason eu desenho um raio no livro, e meus livros estão cheios de raios.
Eu não sei se o Rick faz isso de palhaçada, para nos fazer rir, ou se o Jason só é muito atrapalhado mesmo, ou se o poder do Jason é tão grande que Rick o deixa inconsciente ou incapaz durante as lutas para que os outros tenham a chance de fazer alguma coisa, por que se não perde a graça. Mas mesmo assim, eu não posso evitar uma risada toda vez que isso acontece.
Leo! Meu personagem favorito de todos os novatos. Suas cenas nesse livro são todas apaixonantes, eu AMEI cada uma delas, e tenho muita esperança de que tudo dê certo para ele no próximo livro. Se não der vou pessoalmente na casa do Rick. Juro.
Hazel descobre um novo poder e ela é incrível ao aprender a usá-lo. Ela está crescendo e aprendendo cada vez mais, e isso me dá sentimentos estranhos de orgulho que eu não deveria sentir por personagens fictícios.
Falando em orgulho, vamos falar sobre a verdadeira estrela desse livro: Frank! Estou super orgulhosa dele também, e não sei nem o que dizer sem dar vários spoilers. E o que ele fez pelo Treinador Hedge...
Esse livro é tão bom. Meu coração de fã está dando pulos.
Finalmente, Nico. Como se não bastasse que um dos meus personagens favoritos já sofreu o suficiente em sua vida, sendo trocado por um grupo de caçadoras por sua irmã, para depois perdê-la em um piscar de olhos, fosse rejeitado por alguns semideuses apenas por ser filho de Hades, perder seus pais, ter que viver no submundo dando McDonalds aos mortos, passar dias no Tártaro sozinho (Percy e Annabeth pelo menos tem um ao outro), e quase morrer depois de passar dias trancado em um jarro... Ele ainda por cima tem que sofrer, também, por isso. Eu realmente espero que tudo dê certo para o Nico, gente. Em um mundo perfeito ele encontraria alguém que ele ame de verdade, e que o ame de volta, e aí eles se casariam. Se os deuses permitirem, Rick Riordan não vai me decepcionar. Se tem um personagem que eu quero que seja tão feliz que vai dar nojo nas outras pessoas, é o Nico.
Voltando aos comentários, finalmente vemos Grover de novo! Mesmo que por um breve momento. Eu estava me perguntando onde ele estava. E a cada dia que passa eu gosto mais da Reyna e odeio mais o Octavian.
Em resumo, esse livro é ótimo, o melhor que Rick já escreveu (nas séries sobre o Percy Jackson. Não li seus outros livros ainda) na minha opinião. Não consegui parar de ler, tive que ficar acordada até sete horas da manhã para terminá-lo, e não me arrependo nem um pouco.
Eu mal posso esperar pelo próximo livro. O título é "The Blood of Olympus", bem feliz e otimista, né?
Meu medo só não se compara às minhas expectativas.

Beijos, etc.

Resenha: Trilogia Unearthly

de Cynthia Hand




Traduzida no Brasil como "Sobrenatural", a trilogia Unearthly fala sobre Clara Gardner, uma menina com sangue de anjo que está tendo visões sobre um incêndio, no qual ela salva a vida de um garoto que ainda não conhece. Clara não está assustada, ela sabe exatamente o que está acontecendo. Todos na Terra com sangue de anjo tem um propósito, uma razão para estarem aqui, e em algum ponto de suas vidas eles começam a ter visões sobre isso. Esse é o propósito de Clara.
Clara conta tudo para sua mãe, uma mulher metade anjo e metade humana, que imediatamente a ajuda a descobrir onde a visão está acontecendo, e Clara, sua mãe, e seu irmão mais novo Jeffrey, se mudam para lá.

Eu nunca tinha lido nada sobre anjos antes (a não ser pelo início de Hush Hush, do qual rapidamente desisti, e incontáveis fanfics de Supernatural), apesar de já ter comprado A Batalha do Apocalipse há eras atrás. Mesmo assim, acho que esse foi um ótimo começo. O livro explica toda a sua mitologia muito bem, e não tem nada de muito complicado nele.
No início do primeiro livro, eu fiquei um pouco incomodada. Mais um livro com um "amor" instantâneo entre dois personagens, ugh. Mais um livro com um triângulo amoroso desnecessário, ugh. Mas gente, o livro é bem legal, e essas duas coisas quase não me atrapalharam em nada, e só acontecem em Unearthly, o primeiro volume.
Eu adorei a relação de Clara com sua mãe e com seu irmão, e a forma como elas se desenvolveram, não só no primeiro livro, mas durante toda a série. Adorei o fato de que os pais não sumiram nesse livro. Na verdade, eles são uma grande parte dele. Essa não é mais uma daquelas trilogias sem adultos em momento nenhum, sabe? Isso faz uma grade diferença.
O segundo livro foi tão bom quanto o primeiro, só que bem mais triste, com uma carga emocional pesada. Foi um pouco deprimente, na verdade, mas ainda assim foi legal. E o que me surpreendeu ainda mais: no segundo livro eu comecei a me importar com o tal do triângulo amoroso. Ele começou a parecer bem mais verrdadeiro e justificável, até o ponto em que eu não sabia mais quem a personagem principal escolheria. Essa dúvida continua até o final do livro três.
Na verdade, no livro três, eu não sabia mais quem EU escolheria. Eu estava honestamente dividida em duas partes iguais entre os dois garotos, cada minuto me inclinando mais para um lado. Nunca me senti tão confusa a respeito de quem eu escolheria se estivesse na situação da protagonista. Geralmente, eu tenho uma ideia bem clara de quem eu prefiro, e geralmente é a pessoa com quem a personagem principal termina.
Mas o que mais me surpreendeu foi o quanto eu gostei do terceiro livro. Eu tinha achado os dois primeiros legais, mas até demorei pra ler o terceiro porque em trilogias assim o último livro é sempre o mais fraquinho, o pior de todos. Foi por isso que ao terminar o terceiro livro eu eu fiquei boquiaberta. Imaginem minha surpresa ao ler uma cena, entre o meio e o final do livro, que me deixou com lágrimas nos olhos (depois de muito tempo sem encontrar um livro que me emocionasse assim), em uma trilogia pela qual eu não dava nada ao começar?
O final foi feliz, mas amargo, assim como eu achei que ia ser. Mas essa é a vida, nem tudo dá certo para todos, e nesse livro estava claro que alguém não ia sair com tudo às mil maravilhas. Eu adorei.
Fora isso, ele tem a quantidade certa de cenas de ação, e várias surpresas. A série inteira em si é cheia de surpresas, coisas que eu simplesmente NÃO teria adivinhado em momento nenhum.
E os personagens são muito bem construídos. Eu adorei cada um deles, inclusive (para a surpresa de todos) a Clara. Ela comete erros, mas ela os reconhece, ela se arrepende, ela tenta consertá-los. E ela é engraçada, honesta e ela se importa com as pessoas. É raro que eu goste de personagens principais que narram em primeira pessoa, mas nesse livro isso aconteceu. Não tanto no primeiro volume, mas Clara cresce ao longo da série, seu personagem se desenvolve melhor, e isso só aumenta os pontos imaginários que eu ia dando para a trilogia enquanto ia lendo.
Fora ela, adorei sua mãe, seu pai, seu irmão, Tucker, Christian, Angela, Wendy, Billy, e até Samjeeza.
Só uma coisa: aconselho que leiam a novela que acompanha os livros, Radiant, entre o segundo e o terceiro livro. Eu não fiz isso, e fiquei bastante confusa em algumas partes que tinham referências à ela, mas a autora explica brevemente o que aconteceu lá de forma satisfatória e eu não fiquei sem entender nada. Mas teria sido melhor se tivesse lido Radiant antes.
A série como um todo recebe 4.5 estrelas, e só por que o primeiro livro realmente poderia ter sido melhor (apesar de não ter sido ruim). O terceiro com certeza é o meu favorito, e pra quem gosta de literatura sobre anjos, essa série vale muito a pena.

Beijos, etc.

sábado, 30 de novembro de 2013

Resenha: Allegiant

de Veronica Roth

Terceiro e último livro da série Divergente, Allegiant começa quase imediatamente após o final de Insurgente. Nesse livro nós descobrimos o que existe além dos muros de Chicago, como está o mundo lá fora, e como resolver os problemas das facções.
Não descreverei muito o enredo do livro, pois se você ainda não leu os dois primeiros você receberia vários spoilers, e se você JÁ leu os dois primeiros, você tem uma ideia bem clara do que precisa, a princípio, acontecer aqui. Vamos direto para a minha opinião.
(Essa resenha tem spoilers dos dois primeiros livros.)
Quem leu as minhas resenhas de Divergente e Insurgente sabe que eu não tenho sido a maior fã dessa trilogia. Gostei, e me deixou curiosa o bastante para continuar, mas nada que me deixasse muito entusiasmada. Allegiant, no entanto, ainda conseguiu me decepcionar bastante. E olha que eu nem esperava muito; imagina só a decepção das pessoas que amaram os dois outros livros e esperavam algo épico?
Não é um livro particularmente ruim, mas para a expectativa que os leitores tinham, baseando-se nos livros anteriores, o nível de Allegiant diminuiu bastante.
Ao contrário de Divergente e Insurgente, temos poucas cenas de ação. Allegiant gasta grande parte do seu tempo nos explicando a situação em que o mundo se encontra e como eles estão tentando lidar com isso. Não me leve a mal, eu gosto de ter informação sobre a sociedade em que o livro se passa, e tudo que Veronica Roth nos contou era necessário, mas a quantidade de informações deixadas para o livro final foi imensa. Eu já sabia que seria assim, pois ela não tinha revelado nada sobre NADA no final do segundo livro, mesmo tendo muito para explicar, e estava óbvio que o terceiro livro teria um alto nível de info-dump.
O ideal seria que metade dessas explicações estivessem no livro anterior, para que o terceiro pudesse ter uma resolução melhor. Divergente poderia ter sido mais rápido e com menos detalhes de uma facçao só, acabando em algum lugar no que hoje temos como o meio de Insurgente. Assim, o segundo livro teria mais espaço para explicações e o terceiro livro teria sido melhor executado.
Mas não. Nós recebemos toda a explicação em um livro só. Além disso, com essa explicação, nós temos problemas e mais problemas relacionados ao mundo-do-lado-de-fora se adicionando à pilha de problemas que já tínhamos em Chicago. Ao chegar no meio do livro e perceber que a autora não tinha nem começado a resolver nada, eu já sabia que não daria a esse livro mais do que 3 estrelas.
Para falar a verdade, eu gostei do final. Eu gostei da forma como as coisas ficaram depois de tudo ter se resolvido, sabe, eu gostei do Epílogo. O que eu não gostei foi a FORMA e a RAPIDEZ com que as coisas foram resolvidas. Todos aqueles problemas que vão se adicionando à pilha (assim como os problemas anteriores) são rapidamente solucionados em uns... 5 capítulos. Só.
Falando em coisas que não gostei, acho que devo adicionar que a tal explicação para o "por que Chicago está assim? Por que as facções foram criadas?" foi bem previsível. Pessoas com quem eu discuti sobre como o final da trilogia seria já tinham surgido com essas teorias a algum tempo, e eu a vi aparecer em várias resenhas de Insurgente. Achei tudo muito simples, tudo muito fácil. Tudo muito mal planejado.
A impressão que tive foi de que a autora havia tido a ideia dessa sociedade dividida em facções, mas que não sabia ao certo por quê ela havia se dividido assim. E quando ela finalmente pensou em um por quê, esse motivo não foi muito bom. Me parece que a autora não sabia muito sobre o próprio livro que estava escrevendo quando começou a escrevê-lo.
O livro todo, na verdade, foi de certa forma previsível. E várias coisas desnecessárias parecem acontecer apenas com o intuito de causar algum conflito emocional, tanto nos leitores quanto nos personagens. Muito nesse livro acontece não por realmente ter um motivo para acontecer, ou porque merdas as vezes acontecem (com o perdão da palavra), mas sim porque a autora parecia forçar o acontecimento para adicionar tristeza aos seus livros.
Veronica nos afoga em mortes, mais uma vez, e muitas delas acontecem desnecessariamente. Não todas. Algumas realmente eram necessárias. Como eu já disse, eu gostei do final do livro.
Só mais uma coisa: nesse livro temos dois POVs. Ao contrário dos outros, onde só tivemos o de Tris, Tobias nos narra parte da estória de Allegiant. Isso me confundiu em diversas partes porque apesar de Tris e Tobias serem pessoas bem diferentes, suas vozes narrativas eram praticamente iguais. A falta de diferença nos capítulos deles me deixou um pouco irritada, pois em vários momentos eu achava que estava lendo Tris e aí o narrador dizia "e então Tris entrou..." e eu tinha que voltar e ler tudo de novo, agora sabendo que o narrador era o Tobias, só para me situar.
Essa mudança de POV me confundiu e irritou bastante (além de deixar claro o que iria acontecer, desde o início. Pelo menos para mim. Mais uma vez eu digo: esse livro foi bem previsível.)
Peço sinceras desculpas às pessoas que amam essa trilogia e a acham brilhante, mas eu, honestamente, a achei apenas ok.
Gosto da escrita de Veronica Roth, apesar de tudo, e também gosto da forma como ela constrói seus personagens, então provavelmente lerei seus outros livros se ela decidir algum dia escrever outra coisa. Um escritor também aprende conforme escreve, e seu próximo livro com certeza será melhor.

Beijos, etc.

Resenha: Heróis do Olimpo #3 - A Marca de Atena

de Rick Riordan

A Marca de Atena começa imediatamente  após o final de Filho de Netuno, e finalmente temos os nossos sete semideuses reunidos e interagindo. Eu sou péssima com resumos, gente, então vou ser breve. Nesse livro, temos a realização da profecia da marca de Atena, que foi dita parcialmente no final do livro anterior e que escutamos completa aqui (pelo que me lembro, mas todo mundo sabe como minha memória é ruim). Temos vários momentos  em que os personagens vão em direções diferentes, cada grupinho com a sua própria missão, e aí eles se reencontram e contam o que aconteceu, e isso nos dá uma grade chance de conhecê-los de forma melhor, o que é ótimo. Especialmente por causa dos caras novos, que não conhecemos direito.
Rick Riordan se supera a cada livro que escreve. Eu gosto mais e mais de cada livro que vou lendo, e cada vez mais aprecio a sua forma leve (que a cada livro fica um pouco mais pesada) de lidar com as criaturas mitológicas perigosas que os personagens encontram, mesmo que para muitas pessoas essa mesma coisa seja considerada infantil.
A reunião de Percy e Annabeth, que acontece logo no início, é tudo o que eu sonhei que seria e mais. Aliás, tem muitos momentos fofos entre os dois nesse livro, o que é um alívio, já que apesar de sabermos que eles se amam, nós não tivemos muita chance de vê-los junto como namorados ainda.
Eu tenho muitas coisas para dizer sobre esse livro, mas a maioria delas poderiam ser consideradas spoilers, então vou falar sobre cada personagem separadamente, porque acho que fica mais fácil assim.
Primeiramente, Annabeth, a estrela do livro. Nós sempre soubemos que Annabeth era inteligente e corajosa, mas nesse livro nós temos a chance de estar "dentro de sua mente" enquanto ela nos mostra o QUÃO inteligente e corajosa ela é. Ela enfrenta alguns de seus piores medos de forma brilhante, exatamete como esperaríamos que ela faria. Não tenho nada além de elogios aqui.
Percy. Na verdade, as partes em que mais gostei do Percy foram as partes em que ele não estava narrando. Não que eu não tenha amado cada segundo de seus capítulos, mas depois de cinco livros do Percy falando para nós o que acontece, foi legal que outras pessoas nos contassem o que elas pensam sobre ele. E foi ainda mais legal ler o que Annabeth pensa sobre ele. Nós conhecemos a Annabeth a tanto tempo, e nunca soubemos direito como ela pensa. Aqui, nós finalmente temos essa ideia.
Sobre o Frank, eu gosto muito dele. Ele é inseguro, mas ele está ganhando cada vez mais confiança, e ao mesmo tempo ele se encaixa tão bem nos sapatos de "herói filho de Ares". Dá pra ver que ele vai fazer coisas incríveis, que ele tem potencial pra isso. E é fofo ver como sua relação com Hazel vai se desenvolvendo.
Já que mencionei Hazel, vamos para ela. Eu também a adoro, e o fato de ela ser um pouco antiquada por ter nascido a tanto tempo atrás faz dela ainda mais adorável. Ela parece estar finalmente aprendendo a usar suas habilidades de uma forma mais útil, não que elas tenham sido inúteis antes. Agora ela está aprendendo a controlá-las.
Amei os momentos entre ela e Leo, e fiquei feliz de ver que todo o assunto do Sammy foi resolvido rapidamente e sem muita dor e conflito (e ainda assim, de uma forma linda e bem executada). Eu estava muito preocupada com o que ia acontecer ali, e a última coisa de que precisamos é um triângulo amoroso.
O Leo, como sempre, foi incrível. Ele cometeu alguns erros nesse livro, mas qualquer personagem que não tenha falhas não é um bom personagem. E ainda que ele tenha cometido erros, ele salva os outros de situações ruins toda hora, então ele tem crédito o suficiente pra cometer alguns erros e ainda ficar bem. Gosto especialmente da cena com Echo e Narciso, que foi uma das minhas partes favoritas do livro.
A Piper é a personagem que menos gosto que narre. Não me leve a mal, eu ainda a adoro. Ela salva a vida dos outros semideuses constantemente, mas sempre que algum capítulo da Piper chegava, eu torcia um pouco a boca. Ela é ótima, mas os seus capítulos me cansam. Não sei por quê.
E por último (dos sete semideuses principais, que deviam ser oito, porque eu queria que o Nico estivesse entre eles), o Jason, que em várias ocasiões é paralisado contra a sua vontade durante as batalhas e impedido, de alguma forma, de lutar. E algumas vezes atrapalha ao invés de ajudar. Mas mesmo que ele não seja o mais inteligente dos personagens (veja, não estou dizendo que ele é burro, de forma alguma), ele ainda é um ótimo personagem. Ouvi várias reclamações sobre como o Jason não faz nada, como ele se acha um líder e não é... Mas gente, ele é um líder. Não da mesma maneira que o Percy é um líder (pois existem tipos diferentes) mas um líder de qualquer forma. O Jason é mais como um motivador. Toda vez que alguém precisa de ajuda ou consolo, toda vez que alguém não acredita em si mesmo, ele está lá, dizendo para a pessoa que ela pode, que ela tem que ser corajosa... Ele oferece apoio moral e incentivo, e essas são grandes qualidades para se ter. Qualidades de um líder.
Acho que não preciso dizer que adoro o Nico, todos já sabem. E estou muito feliz que conhecemos um pouco mais da Reyna nesse livro. Espero que possamos ver mais dela (e mais interações entre ela e a Annabeth! Por favor) nos próximos.
Eu não tenho nada de negativo para dizer sobre esse livro. Absolutamente NADA. E depois de ler o final eu estou muito feliz que tenha esperado até o quarto livro sair para começar essa série, pois não aguentaria esperar.
Não preciso nem dizer que recomendo para todo mundo.

Beijos, etc.

domingo, 20 de outubro de 2013

Resenha: Série Matched

de Ally Condie


Matched é uma trilogia de livros sobre uma sociedade distópica (nada de novo aqui) onde tudo é controlado pela "Sociedade", desde o quanto (e o quê) você come até o dia em que você morre.
Aos 17, se não me engano, acontece uma cerimônia onde você é pareado com a pessoa com a qual você irá se casar. Nessa cerimônia você pode se vestir com roupas elegantes e comer um banquete, coisas que eles não fazem no dia a dia.
Nossa personagem principal é Cassia, e começamos a estória com ela em sua cerimônia. Todos os pares são combinados de forma a criar filhos com a melhor combinação genética possível, e depois de você ver na tela quem vai ser seu par, você recebe uma maquinazinha (ou algo assim, não me lembro direito) com os dados da pessoa que foi escolhida para você, e Cassia é pareada com seu amigo, Xander. Quando ela vai para sua casa e tenta ver seus dados na maquininha, a pessoa que aparece é um garoto completamente diferente. Cassia fica nervosa, já que a Sociedade nunca erra, e esconde de todos o acontecimento.



A escrita é bem fácil e bem poética. Tão poética que em vários momentos se torna chato, mas na maioria das vezes ela funciona de forma bonita. A autora consegue colocar imagens vívidas em sua cabeça, as descrições são bem claras.
No primeiro livro, Matched, temos o ponto de vista de Cassia. Eu me interessei muito pela estória do livro e ele deixou mistérios o suficiente para que eu me sentisse tentada a ler o segundo. Aqui, temos o desenvolvimento do romance entre Cassia e Ky, e todos os momentos que eles compartilharam foram muito fofos. O romance funcionou bem, sem parecer forçado, o que foi um grande alívio. Isso é raro de encontrar.






No segundo livro, Crossed, temos a narrativa de Cassia e Ky, o que me deixou bastante surpresa. Ainda mais surpresa eu fiquei quando percebi que as vozes desses dois personagens, mesmo em primeira pessoa, eram diferentes. Nesse livro, aprendemos sobre o passado de Ky e mais sobre as três pílulas que todos carregam consigo para todos os lugares, além de conhecer personagens novos.
A escrita continua a mesma, mas o segundo livro me irritou bastante. Não acontece nada! Não existe climax em Crossed. Vários pontos em que poderiam ter havido conflitos são desperdiçados, passando sem incidentes, e no final eles voltam para o mesmo lugar onde estavam no início do livro. Crossed poderia não existir. Crossed está aqui para fazer da série uma  trilogia. Crossed é irrelevante. Infelizmente, isso fez com que a estória perdesse um pouco da magia.



Reached é diferente. Coisas acontecem! Apesar de não ser muito melhor do que Matched  (e os dois serem muito melhores do que Crossed, que foi bem ruim) é o que eu mais gostei da série. Nesse, temos o ponto de vista de Cassia, Ky, e Xander, e mais uma vez me sinto surpresa pela forma como a autora diferenciou suas vozes, suas narrativas.

Nesse livro, tudo é explicado. Ou pelo menos tudo que eu ainda tinha interesse em saber. Eu tinha medo de que a autora houvesse deixado mistérios demais em branco e que não fosse responder todos, mas o livro é bem amarrado, bem fechado.
Ainda assim, achei que o final ficou um pouco... mal resolvido. Deixou a desejar. Eu me senti satisfeita ao terminar, mas não tão satisfeita quanto poderia, ou esperava. Alguma coisa definitivamente faltou.


Eu ainda não decidi se vale a pena ou não ler esses livros, para falar a verdade. A escrita é muito bonita, apesar de um pouco cansativa, e os poemas apresentados pela autora se encaixam na estória de forma legal, mas eu me senti um pouco... vazia ao terminar. Não sei explicar, mas foi a sensação que tive.
Eu acho que não recomendaria essa série, mas é mais pelo segundo livro do que por qualquer outra coisa... Crossed foi tão ruim que quando li Reached eu simplesmente já não ligava mais pro que acontecia, eu estava lendo para terminar, e não para desfrutar.

Beijos, etc.

Resenha: Daughter of Smoke & Bone #1 - Feita de Fumaça e Osso

de Laini Taylor

Feita de Fumaça e Osso narra a estória de Karou, uma menina de cabelo azul que não sabe de onde vem. Desde pequena, ela foi criada por quimeras, sendo sua maior figura paterna o Brimstone, um homem com metade do corpo do bode e metade do corpo humano. Ela foi treinada para fazer alguns serviços para ele, coletando dentes (para quê, ela não sabe), e ele consegue chamá-la em qualquer lugar que ela esteja, não importa o quão inconveniente isso seja para ela.
Como recompensa, ele a retribui com pequenas jóias(?), ou pedrinhas(?), ou missangas(?), não lembro, que realizam os seus desejos. As menores, scuppies, realizam os desejos pequenos, os mais triviais, e o valor dos desejos realizados vai crescendo conforme as "pedrinhas" que ele a dá: scuppie, shing, lucknow, gavriel, e bruxis.
Karou logo descobre que existem dois mundos: o mundo dos quimeras e o mundo dos anjos, e ambos estão em guerra constante um com o outro.
Sinceramente, a estória do livro tem tanta coisa, nós descobrimos tanta coisa, que é inútil tentar explicar tudo o que está acontecendo nele.
No início, toda a informação nova é um pouco demais para aguentar, e eu fiquei bastante confusa com todos os nomes e com a aparência física de alguns personagens, mas assim que você se acostuma com tudo, o livro voa.
Laini Taylor tem muita criatividade, além de uma boa escrita, e ela descrevia Praga com tanta vividez que eu realmente me sentia lá. A escolha de lugar também me surpreendeu bastante (de um jeito bom), Praga. Nunca havia lido nenhum livro que se passasse lá.
Todos os personagens são muito bem construídos. Eu podia vê-los claramente, e imaginar seus gestos enquanto falavam. Até os personagens mais detestáveis eram fáceis de se ler. E a personagem principal, Karou, é inteligente e confiante, tudo o que eu gostaria que uma personagem principal fosse.
Uma das coisas que mais gostei foi que o livro não guarda todos os seus mistérios para o próximo volume. Nós temos a maioria das nossas perguntas respondidas nesse livro mesmo, e apenas algumas questões cruciais continuam não respondidas, mas só o bastante para nos fazer querer continuar a ler a série. Isso é bom e importante de se fazer, pois muitas séries deixam tudo para ser resolvido no final e acabam esquecendo algumas coisas. Tenho a impressão de que essa trilogia será muito bem amarrada, e isso me deixa com ainda mais vontade de ler o próximo.
Os diálogos, no entanto, me deixaram um pouco nervosa, porque muitas conversas que os personagens tinham pareciam inúteis. Eu sei que as pessoas conversam sobre coisas inúteis o tempo todo, mas alguns diálogos escritos por Laini me entediavam demais. Eles não fariam diferença nenhuma se não estivessem ali. Por exemplo, em certo ponto do livro, Karou e sua amiga Zuzana estão tendo uma conversa sobre borboletas no estômago, que dura quase duas páginas inteiras e não nos acrescenta em nada.
E aí nós temos, é claro, o romance. O livro não gira em torno dele, e ele nem chega a ser claro até que um bom pedaço do livro tenha se passado, mas ainda assim é importante para a estória.
No início, eu achei o romance entre Karou e Akiva forçado, como todos os outros romances em livros nesse estilo parecem ser. Mas de pouquinho em pouquinho eu fui gostando da relação deles, torcendo por eles... E nós descobrimos depois por quê eles se sentiam atraídos um pelo outro, e tudo fica bem.
E Akiva, o tal interesse romântico de Karou, é simplesmente adorável. Eu sei que adorável é uma palavra estranha para descrevê-lo, mas toda vez que ele se sentia desconfortável ao fazer alguma coisa humana eu pensava no quão fofo tudo aquilo era. Ele tentando entrar no banheiro e tendo dificuldades, por causa de suas asas gigantes, ou se assustando com o elevador, ou tentando contar piadas...
De forma geral, o livro não tem muitos pontos negativos. Foi bem divertido e interessante de ler, e eu mal posso esperar pelos próximos. Já pedi Dias de Sangue e Estrelas, e o último livro, Dreams of Gods and Monsters, deve sair no início do ano que vem lá nos states. Yay!

Beijos, etc.