sábado, 30 de novembro de 2013

Resenha: Allegiant

de Veronica Roth

Terceiro e último livro da série Divergente, Allegiant começa quase imediatamente após o final de Insurgente. Nesse livro nós descobrimos o que existe além dos muros de Chicago, como está o mundo lá fora, e como resolver os problemas das facções.
Não descreverei muito o enredo do livro, pois se você ainda não leu os dois primeiros você receberia vários spoilers, e se você JÁ leu os dois primeiros, você tem uma ideia bem clara do que precisa, a princípio, acontecer aqui. Vamos direto para a minha opinião.
(Essa resenha tem spoilers dos dois primeiros livros.)
Quem leu as minhas resenhas de Divergente e Insurgente sabe que eu não tenho sido a maior fã dessa trilogia. Gostei, e me deixou curiosa o bastante para continuar, mas nada que me deixasse muito entusiasmada. Allegiant, no entanto, ainda conseguiu me decepcionar bastante. E olha que eu nem esperava muito; imagina só a decepção das pessoas que amaram os dois outros livros e esperavam algo épico?
Não é um livro particularmente ruim, mas para a expectativa que os leitores tinham, baseando-se nos livros anteriores, o nível de Allegiant diminuiu bastante.
Ao contrário de Divergente e Insurgente, temos poucas cenas de ação. Allegiant gasta grande parte do seu tempo nos explicando a situação em que o mundo se encontra e como eles estão tentando lidar com isso. Não me leve a mal, eu gosto de ter informação sobre a sociedade em que o livro se passa, e tudo que Veronica Roth nos contou era necessário, mas a quantidade de informações deixadas para o livro final foi imensa. Eu já sabia que seria assim, pois ela não tinha revelado nada sobre NADA no final do segundo livro, mesmo tendo muito para explicar, e estava óbvio que o terceiro livro teria um alto nível de info-dump.
O ideal seria que metade dessas explicações estivessem no livro anterior, para que o terceiro pudesse ter uma resolução melhor. Divergente poderia ter sido mais rápido e com menos detalhes de uma facçao só, acabando em algum lugar no que hoje temos como o meio de Insurgente. Assim, o segundo livro teria mais espaço para explicações e o terceiro livro teria sido melhor executado.
Mas não. Nós recebemos toda a explicação em um livro só. Além disso, com essa explicação, nós temos problemas e mais problemas relacionados ao mundo-do-lado-de-fora se adicionando à pilha de problemas que já tínhamos em Chicago. Ao chegar no meio do livro e perceber que a autora não tinha nem começado a resolver nada, eu já sabia que não daria a esse livro mais do que 3 estrelas.
Para falar a verdade, eu gostei do final. Eu gostei da forma como as coisas ficaram depois de tudo ter se resolvido, sabe, eu gostei do Epílogo. O que eu não gostei foi a FORMA e a RAPIDEZ com que as coisas foram resolvidas. Todos aqueles problemas que vão se adicionando à pilha (assim como os problemas anteriores) são rapidamente solucionados em uns... 5 capítulos. Só.
Falando em coisas que não gostei, acho que devo adicionar que a tal explicação para o "por que Chicago está assim? Por que as facções foram criadas?" foi bem previsível. Pessoas com quem eu discuti sobre como o final da trilogia seria já tinham surgido com essas teorias a algum tempo, e eu a vi aparecer em várias resenhas de Insurgente. Achei tudo muito simples, tudo muito fácil. Tudo muito mal planejado.
A impressão que tive foi de que a autora havia tido a ideia dessa sociedade dividida em facções, mas que não sabia ao certo por quê ela havia se dividido assim. E quando ela finalmente pensou em um por quê, esse motivo não foi muito bom. Me parece que a autora não sabia muito sobre o próprio livro que estava escrevendo quando começou a escrevê-lo.
O livro todo, na verdade, foi de certa forma previsível. E várias coisas desnecessárias parecem acontecer apenas com o intuito de causar algum conflito emocional, tanto nos leitores quanto nos personagens. Muito nesse livro acontece não por realmente ter um motivo para acontecer, ou porque merdas as vezes acontecem (com o perdão da palavra), mas sim porque a autora parecia forçar o acontecimento para adicionar tristeza aos seus livros.
Veronica nos afoga em mortes, mais uma vez, e muitas delas acontecem desnecessariamente. Não todas. Algumas realmente eram necessárias. Como eu já disse, eu gostei do final do livro.
Só mais uma coisa: nesse livro temos dois POVs. Ao contrário dos outros, onde só tivemos o de Tris, Tobias nos narra parte da estória de Allegiant. Isso me confundiu em diversas partes porque apesar de Tris e Tobias serem pessoas bem diferentes, suas vozes narrativas eram praticamente iguais. A falta de diferença nos capítulos deles me deixou um pouco irritada, pois em vários momentos eu achava que estava lendo Tris e aí o narrador dizia "e então Tris entrou..." e eu tinha que voltar e ler tudo de novo, agora sabendo que o narrador era o Tobias, só para me situar.
Essa mudança de POV me confundiu e irritou bastante (além de deixar claro o que iria acontecer, desde o início. Pelo menos para mim. Mais uma vez eu digo: esse livro foi bem previsível.)
Peço sinceras desculpas às pessoas que amam essa trilogia e a acham brilhante, mas eu, honestamente, a achei apenas ok.
Gosto da escrita de Veronica Roth, apesar de tudo, e também gosto da forma como ela constrói seus personagens, então provavelmente lerei seus outros livros se ela decidir algum dia escrever outra coisa. Um escritor também aprende conforme escreve, e seu próximo livro com certeza será melhor.

Beijos, etc.

Resenha: Heróis do Olimpo #3 - A Marca de Atena

de Rick Riordan

A Marca de Atena começa imediatamente  após o final de Filho de Netuno, e finalmente temos os nossos sete semideuses reunidos e interagindo. Eu sou péssima com resumos, gente, então vou ser breve. Nesse livro, temos a realização da profecia da marca de Atena, que foi dita parcialmente no final do livro anterior e que escutamos completa aqui (pelo que me lembro, mas todo mundo sabe como minha memória é ruim). Temos vários momentos  em que os personagens vão em direções diferentes, cada grupinho com a sua própria missão, e aí eles se reencontram e contam o que aconteceu, e isso nos dá uma grade chance de conhecê-los de forma melhor, o que é ótimo. Especialmente por causa dos caras novos, que não conhecemos direito.
Rick Riordan se supera a cada livro que escreve. Eu gosto mais e mais de cada livro que vou lendo, e cada vez mais aprecio a sua forma leve (que a cada livro fica um pouco mais pesada) de lidar com as criaturas mitológicas perigosas que os personagens encontram, mesmo que para muitas pessoas essa mesma coisa seja considerada infantil.
A reunião de Percy e Annabeth, que acontece logo no início, é tudo o que eu sonhei que seria e mais. Aliás, tem muitos momentos fofos entre os dois nesse livro, o que é um alívio, já que apesar de sabermos que eles se amam, nós não tivemos muita chance de vê-los junto como namorados ainda.
Eu tenho muitas coisas para dizer sobre esse livro, mas a maioria delas poderiam ser consideradas spoilers, então vou falar sobre cada personagem separadamente, porque acho que fica mais fácil assim.
Primeiramente, Annabeth, a estrela do livro. Nós sempre soubemos que Annabeth era inteligente e corajosa, mas nesse livro nós temos a chance de estar "dentro de sua mente" enquanto ela nos mostra o QUÃO inteligente e corajosa ela é. Ela enfrenta alguns de seus piores medos de forma brilhante, exatamete como esperaríamos que ela faria. Não tenho nada além de elogios aqui.
Percy. Na verdade, as partes em que mais gostei do Percy foram as partes em que ele não estava narrando. Não que eu não tenha amado cada segundo de seus capítulos, mas depois de cinco livros do Percy falando para nós o que acontece, foi legal que outras pessoas nos contassem o que elas pensam sobre ele. E foi ainda mais legal ler o que Annabeth pensa sobre ele. Nós conhecemos a Annabeth a tanto tempo, e nunca soubemos direito como ela pensa. Aqui, nós finalmente temos essa ideia.
Sobre o Frank, eu gosto muito dele. Ele é inseguro, mas ele está ganhando cada vez mais confiança, e ao mesmo tempo ele se encaixa tão bem nos sapatos de "herói filho de Ares". Dá pra ver que ele vai fazer coisas incríveis, que ele tem potencial pra isso. E é fofo ver como sua relação com Hazel vai se desenvolvendo.
Já que mencionei Hazel, vamos para ela. Eu também a adoro, e o fato de ela ser um pouco antiquada por ter nascido a tanto tempo atrás faz dela ainda mais adorável. Ela parece estar finalmente aprendendo a usar suas habilidades de uma forma mais útil, não que elas tenham sido inúteis antes. Agora ela está aprendendo a controlá-las.
Amei os momentos entre ela e Leo, e fiquei feliz de ver que todo o assunto do Sammy foi resolvido rapidamente e sem muita dor e conflito (e ainda assim, de uma forma linda e bem executada). Eu estava muito preocupada com o que ia acontecer ali, e a última coisa de que precisamos é um triângulo amoroso.
O Leo, como sempre, foi incrível. Ele cometeu alguns erros nesse livro, mas qualquer personagem que não tenha falhas não é um bom personagem. E ainda que ele tenha cometido erros, ele salva os outros de situações ruins toda hora, então ele tem crédito o suficiente pra cometer alguns erros e ainda ficar bem. Gosto especialmente da cena com Echo e Narciso, que foi uma das minhas partes favoritas do livro.
A Piper é a personagem que menos gosto que narre. Não me leve a mal, eu ainda a adoro. Ela salva a vida dos outros semideuses constantemente, mas sempre que algum capítulo da Piper chegava, eu torcia um pouco a boca. Ela é ótima, mas os seus capítulos me cansam. Não sei por quê.
E por último (dos sete semideuses principais, que deviam ser oito, porque eu queria que o Nico estivesse entre eles), o Jason, que em várias ocasiões é paralisado contra a sua vontade durante as batalhas e impedido, de alguma forma, de lutar. E algumas vezes atrapalha ao invés de ajudar. Mas mesmo que ele não seja o mais inteligente dos personagens (veja, não estou dizendo que ele é burro, de forma alguma), ele ainda é um ótimo personagem. Ouvi várias reclamações sobre como o Jason não faz nada, como ele se acha um líder e não é... Mas gente, ele é um líder. Não da mesma maneira que o Percy é um líder (pois existem tipos diferentes) mas um líder de qualquer forma. O Jason é mais como um motivador. Toda vez que alguém precisa de ajuda ou consolo, toda vez que alguém não acredita em si mesmo, ele está lá, dizendo para a pessoa que ela pode, que ela tem que ser corajosa... Ele oferece apoio moral e incentivo, e essas são grandes qualidades para se ter. Qualidades de um líder.
Acho que não preciso dizer que adoro o Nico, todos já sabem. E estou muito feliz que conhecemos um pouco mais da Reyna nesse livro. Espero que possamos ver mais dela (e mais interações entre ela e a Annabeth! Por favor) nos próximos.
Eu não tenho nada de negativo para dizer sobre esse livro. Absolutamente NADA. E depois de ler o final eu estou muito feliz que tenha esperado até o quarto livro sair para começar essa série, pois não aguentaria esperar.
Não preciso nem dizer que recomendo para todo mundo.

Beijos, etc.

domingo, 20 de outubro de 2013

Resenha: Série Matched

de Ally Condie


Matched é uma trilogia de livros sobre uma sociedade distópica (nada de novo aqui) onde tudo é controlado pela "Sociedade", desde o quanto (e o quê) você come até o dia em que você morre.
Aos 17, se não me engano, acontece uma cerimônia onde você é pareado com a pessoa com a qual você irá se casar. Nessa cerimônia você pode se vestir com roupas elegantes e comer um banquete, coisas que eles não fazem no dia a dia.
Nossa personagem principal é Cassia, e começamos a estória com ela em sua cerimônia. Todos os pares são combinados de forma a criar filhos com a melhor combinação genética possível, e depois de você ver na tela quem vai ser seu par, você recebe uma maquinazinha (ou algo assim, não me lembro direito) com os dados da pessoa que foi escolhida para você, e Cassia é pareada com seu amigo, Xander. Quando ela vai para sua casa e tenta ver seus dados na maquininha, a pessoa que aparece é um garoto completamente diferente. Cassia fica nervosa, já que a Sociedade nunca erra, e esconde de todos o acontecimento.



A escrita é bem fácil e bem poética. Tão poética que em vários momentos se torna chato, mas na maioria das vezes ela funciona de forma bonita. A autora consegue colocar imagens vívidas em sua cabeça, as descrições são bem claras.
No primeiro livro, Matched, temos o ponto de vista de Cassia. Eu me interessei muito pela estória do livro e ele deixou mistérios o suficiente para que eu me sentisse tentada a ler o segundo. Aqui, temos o desenvolvimento do romance entre Cassia e Ky, e todos os momentos que eles compartilharam foram muito fofos. O romance funcionou bem, sem parecer forçado, o que foi um grande alívio. Isso é raro de encontrar.






No segundo livro, Crossed, temos a narrativa de Cassia e Ky, o que me deixou bastante surpresa. Ainda mais surpresa eu fiquei quando percebi que as vozes desses dois personagens, mesmo em primeira pessoa, eram diferentes. Nesse livro, aprendemos sobre o passado de Ky e mais sobre as três pílulas que todos carregam consigo para todos os lugares, além de conhecer personagens novos.
A escrita continua a mesma, mas o segundo livro me irritou bastante. Não acontece nada! Não existe climax em Crossed. Vários pontos em que poderiam ter havido conflitos são desperdiçados, passando sem incidentes, e no final eles voltam para o mesmo lugar onde estavam no início do livro. Crossed poderia não existir. Crossed está aqui para fazer da série uma  trilogia. Crossed é irrelevante. Infelizmente, isso fez com que a estória perdesse um pouco da magia.



Reached é diferente. Coisas acontecem! Apesar de não ser muito melhor do que Matched  (e os dois serem muito melhores do que Crossed, que foi bem ruim) é o que eu mais gostei da série. Nesse, temos o ponto de vista de Cassia, Ky, e Xander, e mais uma vez me sinto surpresa pela forma como a autora diferenciou suas vozes, suas narrativas.

Nesse livro, tudo é explicado. Ou pelo menos tudo que eu ainda tinha interesse em saber. Eu tinha medo de que a autora houvesse deixado mistérios demais em branco e que não fosse responder todos, mas o livro é bem amarrado, bem fechado.
Ainda assim, achei que o final ficou um pouco... mal resolvido. Deixou a desejar. Eu me senti satisfeita ao terminar, mas não tão satisfeita quanto poderia, ou esperava. Alguma coisa definitivamente faltou.


Eu ainda não decidi se vale a pena ou não ler esses livros, para falar a verdade. A escrita é muito bonita, apesar de um pouco cansativa, e os poemas apresentados pela autora se encaixam na estória de forma legal, mas eu me senti um pouco... vazia ao terminar. Não sei explicar, mas foi a sensação que tive.
Eu acho que não recomendaria essa série, mas é mais pelo segundo livro do que por qualquer outra coisa... Crossed foi tão ruim que quando li Reached eu simplesmente já não ligava mais pro que acontecia, eu estava lendo para terminar, e não para desfrutar.

Beijos, etc.

Resenha: Daughter of Smoke & Bone #1 - Feita de Fumaça e Osso

de Laini Taylor

Feita de Fumaça e Osso narra a estória de Karou, uma menina de cabelo azul que não sabe de onde vem. Desde pequena, ela foi criada por quimeras, sendo sua maior figura paterna o Brimstone, um homem com metade do corpo do bode e metade do corpo humano. Ela foi treinada para fazer alguns serviços para ele, coletando dentes (para quê, ela não sabe), e ele consegue chamá-la em qualquer lugar que ela esteja, não importa o quão inconveniente isso seja para ela.
Como recompensa, ele a retribui com pequenas jóias(?), ou pedrinhas(?), ou missangas(?), não lembro, que realizam os seus desejos. As menores, scuppies, realizam os desejos pequenos, os mais triviais, e o valor dos desejos realizados vai crescendo conforme as "pedrinhas" que ele a dá: scuppie, shing, lucknow, gavriel, e bruxis.
Karou logo descobre que existem dois mundos: o mundo dos quimeras e o mundo dos anjos, e ambos estão em guerra constante um com o outro.
Sinceramente, a estória do livro tem tanta coisa, nós descobrimos tanta coisa, que é inútil tentar explicar tudo o que está acontecendo nele.
No início, toda a informação nova é um pouco demais para aguentar, e eu fiquei bastante confusa com todos os nomes e com a aparência física de alguns personagens, mas assim que você se acostuma com tudo, o livro voa.
Laini Taylor tem muita criatividade, além de uma boa escrita, e ela descrevia Praga com tanta vividez que eu realmente me sentia lá. A escolha de lugar também me surpreendeu bastante (de um jeito bom), Praga. Nunca havia lido nenhum livro que se passasse lá.
Todos os personagens são muito bem construídos. Eu podia vê-los claramente, e imaginar seus gestos enquanto falavam. Até os personagens mais detestáveis eram fáceis de se ler. E a personagem principal, Karou, é inteligente e confiante, tudo o que eu gostaria que uma personagem principal fosse.
Uma das coisas que mais gostei foi que o livro não guarda todos os seus mistérios para o próximo volume. Nós temos a maioria das nossas perguntas respondidas nesse livro mesmo, e apenas algumas questões cruciais continuam não respondidas, mas só o bastante para nos fazer querer continuar a ler a série. Isso é bom e importante de se fazer, pois muitas séries deixam tudo para ser resolvido no final e acabam esquecendo algumas coisas. Tenho a impressão de que essa trilogia será muito bem amarrada, e isso me deixa com ainda mais vontade de ler o próximo.
Os diálogos, no entanto, me deixaram um pouco nervosa, porque muitas conversas que os personagens tinham pareciam inúteis. Eu sei que as pessoas conversam sobre coisas inúteis o tempo todo, mas alguns diálogos escritos por Laini me entediavam demais. Eles não fariam diferença nenhuma se não estivessem ali. Por exemplo, em certo ponto do livro, Karou e sua amiga Zuzana estão tendo uma conversa sobre borboletas no estômago, que dura quase duas páginas inteiras e não nos acrescenta em nada.
E aí nós temos, é claro, o romance. O livro não gira em torno dele, e ele nem chega a ser claro até que um bom pedaço do livro tenha se passado, mas ainda assim é importante para a estória.
No início, eu achei o romance entre Karou e Akiva forçado, como todos os outros romances em livros nesse estilo parecem ser. Mas de pouquinho em pouquinho eu fui gostando da relação deles, torcendo por eles... E nós descobrimos depois por quê eles se sentiam atraídos um pelo outro, e tudo fica bem.
E Akiva, o tal interesse romântico de Karou, é simplesmente adorável. Eu sei que adorável é uma palavra estranha para descrevê-lo, mas toda vez que ele se sentia desconfortável ao fazer alguma coisa humana eu pensava no quão fofo tudo aquilo era. Ele tentando entrar no banheiro e tendo dificuldades, por causa de suas asas gigantes, ou se assustando com o elevador, ou tentando contar piadas...
De forma geral, o livro não tem muitos pontos negativos. Foi bem divertido e interessante de ler, e eu mal posso esperar pelos próximos. Já pedi Dias de Sangue e Estrelas, e o último livro, Dreams of Gods and Monsters, deve sair no início do ano que vem lá nos states. Yay!

Beijos, etc.


Resenha: Heróis do Olimpo #2 - O Filho de Netuno

de Rick Riordan


Atenção: Spoilers do primeiro livro. Mas já que todo mundo já leu essa série e eu sou a última, isso não importa muito.
Atenção 2: Estou um pouco exaltada. Talvez essa resenha não seja tão profissional quanto eu gostaria que fosse.

O Filho de Netuno é o segundo livro dessa série linda e maravilhosa. Ele se passa uns... seis ou sete meses depois de O Herói Perdido, e agora finalmente sabemos o que Percy tem feito durante todo esse tempo que esteve perdido.
Nesse livro temos várias coisas novas. Além de vários personagens diferentes, temos que nos adaptar a outro acampamento, e ao estilo romano de vida. Ainda não estou acostumada a chamar os deuses por seus nomes romanos, e acho que nunca estarei.
Começamos direto onde eu queria. BAM! Percy. Assim como Jason, ele não se lembra de nada de sua vida (além do nome de Annabeth, o que foi super fofo), e tem que se acostumar com a sua vida nova sem qualquer ideia do que esteja acontecendo. Temos Hera, irritante como sempre, Ares, arrogante como sempre, e muitos personagens mitológicos novos. Alguns chatos, alguns preciosos.
Temos também o resto do nosso grupo de sete semideuses! Yay.
Agora, sobre esses novos personagens... Eu gostei da Hazel, ela é ok. Eu sabia de cara de quem ela era filha (falando nisso, um dos meus personagens mais queridos aparece! *olhos de coração*). E temos Frank, que é até bem legal. Eu gostei dele, e não fazia ideia de quem ele era filho, assim como ele. Ele é inseguro como o Leo, e honestamente? Eu sei que as pessoas são inseguras, mas eu meio que esperava que ele fosse diferente. Já temos um inseguro no grupo, não preciso de mais gente dizendo o quanto eles não são bons o suficiente.
Mas o Frank é diferente. Ele é mais sensível, ele não cobre seus sentimentos com uma máscara de humor e sarcasmo como o Leo, ele só... sente. Ele é como um urso panda gigante. É, essa parece uma ótima descrição.
Posso por favor expressar aqui meu ódio pelo Octavian? Octavian é um personagem novo, do acampamento romano, que atrapalha a vida de todos constantemente. Ele é um augúrio (como se fosse a versão romana do oráculo, só que sem as profecias. Ele faz presságios, e antigamente se usavam entranhas de animais para isso, mas eles não matam nenhum animal hoje em dia, então Octavian faz seus presságios através de entranhas de ursinhos de pelúcia). Apesar de não poder negar que a imagem de um garoto irritado e malvado andando por aí com ursinhos de pelúcia na mão seja hilária, eu tenho certeza de que ele vai nos trazer problemas no futuro. Ugh, como eu queria poder matar personagens com o poder da minha mente.
A missão nesse livro é bem interessante, e o prazo é, como sempre, curto. Eu ainda senti que eles conseguiriam ter feito tudo com folga se não tivessem se desviado do caminho por um momento, a pedido de Reyna.
Apesar do nosso amado Percy ter voltado nesse livro e de eu adorar vê-lo pela perspectiva dos outros quando antes só o via pelos seus próprios olhos, eu tenho que dizer que gostei mais d'O Herói Perdido. Eu adorei esse também, e ele quase empatou no primeiro lugar! Mas acho que gostei mais dos personagens novos do primeiro, e simplesmente não consigo me acostumar com o acampamento romano e a forma romana de se viver.
Ainda assim, esse livro é ótimo, e Rick Riordan não deixa a desejar em sua escrita.
Mais uma vez, preciso recomendar essa série para qualquer pessoa que ainda não a tenha lido (ou seja, ninguém).

Beijos, etc.

Resenha: Delirium #1 - Delírio

de Lauren Oliver

É bem irritante quando as séries tem o mesmo nome do primeiro livro. Só um comentário breve.

Delírio se passa em uma sociedade distópica onde o amor é considerado uma doença. Garotos e garotas são separados a vida inteira, e perto dos 18 anos eles recebem a "cura" do amor, para então serem pareados com a pessoa com a qual irão viver e ter filhos.
Essa sociedade é cercada de muros e arames, para manter os "Inválidos" (as pessoas que moram fora e que não foram curadas do amor) do lado de fora, e  impedi-los de trazer a sua doença para dentro.
A vida continua mais ou menos a mesma, exceto pela falta de amor. E não é só falta de amor, é falta de qualquer sentimento forte que se pode ter por qualquer coisa. Falta até mesmo de compaixão. As pessoas tem animais de estimação, mas elas não os amam. Elas tem filhos, e elas não os amam.
Nossa personagem principal é Lena. Ela está perto de fazer o seu teste para ver com quem ela será pareada, já que está quase com 18 anos.
E então, é claro, ela vai de aceitação à descrença. E é essa a estória do primeiro livro: sua jornada do momento em que ela ainda é submissa à sociedade e aos seus valores, até o momento em que ela percebe tudo que há de errado ali e resolve fazer alguma coisa sobre isso.
Sobre o romance no livro... Eu provavelmente tenho algum problema com romances, porque nenhum desses casais de YA parece me tocar. Eu gostei de Alex como um personagem, mas a relação deles me pareceu forçada. Eu entendo que Lena nunca falou com meninos na sua vida, e que era mesmo provável que ela se apaixonasse pelo primeiro que a desse bola, mas mesmo assim. Forçado. O único momento em que senti qualquer coisa sobre o amor deles foi em uma cena que eles tiveram em um trailer, mas sem spoilers.
Lena é a sua típica personagem principal de YA. Ela é insegura, se perguntando diversas vezes durante o livro como alguém poderia gostar dela, e quando ela nos diz suas características físicas suas palavras são sempre "Nem alta, nem baixa, nem gorda, nem magra, nem bonita, nem feia. Apenas comum.". Ela deixa claro que não vê nada de mais em si mesma, e eu estou deixando claro agora que isso me irrita profundamente nesses livros. Que tal uma personagem principal que se ache bonita? Que tenha outros problemas consigo mesma que não sejam relativos à sua aparência?
Ou seja, não gostei de Lena. Parece que ela vai melhorar drasticamente nos outros livros, pelo que ouvi, mas essa é a minha opinião agora.
Passando para a escrita, eu tenho que dizer que esperei mais. Não é ruim, não exatamente. É que com todos me dizendo que a escrita era muito poética e bonita, eu esperava algo... Bom, poético e bonito. Mas o que consegui foi uma escrita um pouquinho diferente do "normal", que se me provocou qualquer reação foi a de cansaço mental. Não porque seja difícil de ler, mas por ter tanta informação desnecessária. A autora faz comparações demais. Em todo o parágrafo que a narradora descrevia uma sensação, ela a comparava com alguma coisa. O gosto de alguma comida nunca era o gosto daquela comida apenas, mas de várias outras misturadas. A sensação de nadar não era apenas como nadar, mas como flutuar no espaço em meio às estrelas que vagarosamente explodiam enquanto um navio pirata espacial a seguia pelos confins da Via Láctea, ou algo assim. E ei, eu gosto de comparações, quando elas fazem sentido e são preciosas, mas Lauren Oliver as coloca em todos. os. parágrafos. E eu até entendo como isso pode ter maravilhado algumas pessoas que leram o livro e me disseram que a escrita é ótima, mas eu não consegui ver nada demais.
Um outro ponto negativo da escrita foi a mudança repentina de Lena. Eu gosto quando meus personagens se desenvolvem de forma plausível, e é muito irritante quando não há desenvolvimento nenhum, mas ainda mais irritante é quando esse desenvolvimento é simplesmente inacreditável, súbito.
Lena vai de completamente devota e submissa à sociedade à completamente apaixonada e disposta a lutar contra todos que a queiram parar em pouquíssimo tempo. De repente, ela enxerga tudo como é. Não acreditei nesse desenvolvimento, ele não me pareceu natural de forma alguma.
Uma das coisas que me tocou e perturbou nesse livro foram as relações entre pais e filhos. Os pais não demonstram afeto por seus filhos, então quando eles se machucam na rua e choram, ninguém se importa. Algumas mães mataram seus filhos por eles serem irritantes e não pararem de chorar. É horrível, e eu não sei como como as pessoas dessa sociedade podem achar que isso esteja dando certo, e por tanto tempo. O amor é uma parte muito grande de nossas vidas, e mesmo quando não temos nada, ainda o temos. Se você o tira de nós, o que nós nos tornamos? Máquinas? Zumbis?
Um ponto positivo do livro foram os pequenos trechos no início de cada capítulo, alguns com cantigas, outros com pedaços do Shhh (Suma de hábitos, higiene e harmonia, o livro que eles seguem como sua Bíblia), outros com reportagens sobre o momento em que a sociedade mata os inválidos e cria suas fronteiras... Isso foi bem pensado, uma forma ótima de dar informações ao leitor sem criar um capítulo inteiro só para isso. Um toque bem interessante à estória.
Eu vou continuar lendo a série, é claro. Tenho esperanças de que Lena melhore, e realmente quero saber o que vai ser desta sociedade sem amor. Além disso, não gosto de desistir.

Beijos, etc.

Resenha: Fangirl

de Rainbow Rowell

Fangirl é a estória de Cath, uma menina que está ingressando na faculdade e adora escrever fanfics sobre a famosa série de livros Simon Snow. Simon Snow é uma série fictícia que existe apenas no universo do livro de Rainbow Rowell, então nada de pesquisar os livros pra download na internet. Cath é uma das escritoras de fanfics mais famosas do fandom de Simon Snow. Ela tem uma irmã gêmea, Wren, que sempre fez tudo junto com ela, mas que decidiu que agora que elas iam para a faculdade, talvez elas devessem conseguir quartos separados e tentar descobrir quem elas são sem a outra ao lado (o que é completamente compreensível, ao meu ver). Cath não gosta dessa ideia. Ela e Wren sempre fizeram tudo juntas, e agora que elas estão entrando em uma parte difícil de suas vidas, ela quer se separar?
O livro conta o primeiro ano de Cath na faculdade, e as dificuldades pelas quais ela passa com sua família, seus amigos, e suas novas aulas.
Assim que vi o título desse livro eu me empolguei. Fangirl! Finalmente, um livro sobre mim. Eu esperava me identificar completamente com a personagem principal e com o seu amor e entusiasmo pela série de livros que ela lia, e como já tinha lido Eleanor & Park, da mesma autora, acho que minhas expectativas estavam um pouco altas.
O livro não é ruim, não é isso. Eu só não simpatizei com a estória, ou com os personagens, tanto quanto achei que ia. Cath tem muitas características parecidas com as minhas, como a preferência por estar sozinha na maior parte das vezes, o seu amor pelos livros que lê, alguns pensamentos que ela tem durante o livro... Mas na maior parte do tempo, Cath só me deixou frustrada. Eu entendo que ela é do tipo que sofre calada e toma as dores dos outros, mas tantos dos problemas que ela tinha podiam ser resolvidos se ela apenas falasse sobre eles. Se ela falasse com sua irmã, se falasse com seu pai, se falasse com Nick, se falasse com Levi, se falasse com sua professora... Não estou nem falando sobre a refusa de Cath de escrever a sua estória de 10 mil palavras, pois eu mesma já desisti de alguns trabalhos apenas por não aguentar a pressão de ter que sentar e fazê-los. O que eu me frustra é a forma como ela não parecia nem tentar. Ela simplesmente desiste, e isso eu não entendo. Eu sei que inspiração é difícil e se você não quer escrever alguma coisa, você simplesmente não consegue escrever essa coisa, mas existe uma diferença entre tentar e não conseguir e não tentar. Lembra quando o Yoda disse "Faça ou não faça. Não existe tentativa" ou algo assim? Então. Isso é besteira.
Seguindo em frente... Quando a primeira metade do livro passou e nós entramos no segundo semestre de Cath na faculdade, eu já não aguentava mais ler o livro. Completamente irritada com Cath, não conseguindo ligar para nenhum dos personagens além de sua colega de quarto (não, nem para o Levi eu ligava, apesar de reconhecer que ele até que é bem legal), eu quase desisti. Só continuei lendo pois queria saber o que ia acontecer com Nick no final, e para saber se as gêmeas fariam as pazes.
Um aspecto do livro que poderia ter sido ótimo mas que tornou tudo ainda mais cansativo para mim foram os trechos sobre Simon Snow no final de cada capítulo. As vezes eram trechos dos livros originais, as vezes eram das fanfics, e as vezes eram reportagens sobre o fenômeno que a série foi, mas todos eles me irritaram igualmente. Talvez eu já estivesse cansada demais de ler e não aguentava mais, não sei. Só sei que depois de 30% do livro eu já estava pulando todas as partes que falavam sobre a série.
Apesar disso tudo, o livro é... legal. Serve como entretenimento leve. Só acho que poderia ser umas 100 páginas mais curto sem perder qualquer coisa de sua essência.

Beijos, etc.